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sábado, 27 de abril de 2013

QUERO CANTAR UM BENDITO








Neste Dia do Trabalho, quero cantar um bendito: primeiro a Deus, que fez o paraíso cheio de belezas e fartura, mas dele expulsou nossos primeiros pais para que, trabalhando aqui, alcançassem o direito de merecê-lo um dia.
Foi a herança que nos tocou, por isso sentimos o céu na terra quando, após um dia de trabalho honesto e construtivo, o sabor do arroz e do feijão nos parece um manjar divino. E o nosso travesseiro, à noite, é como se estivéssemos dormindo nas nuvens.
Mas a vida ficou tão complicada com as “facilidades domésticas” da tecnologia moderna, que nosso trabalho não basta, estamos sempre precisando das especializações de outros.
Por isso quero cantar outros benditos: ao encanador que atende logo ao primeiro chamado diante de uma catástrofe doméstica, alagamentos, canos furados, entupimento de esgoto, torneira vazando. Que tragédias!
Outro bendito ao eletrotécnico e ao eletroeletrônico que com competência e honestidade devolvem a cor à televisão, a voz ao vídeo cassete, além de consertar a batedeira, o aspirador, o liquidificador, as máquinas de lavar.
Bendito eletricista: fazendo as ligações necessárias na casa, restituindo-nos a luz, o calor do chuveiro, do ferro de engomar, do aquecedor!
Bendito técnico das operadoras de Internet que nos devolvem a conexão tão desejada, que nos ligam com o mundo virtual e nos aproximam com os amigos reais. Que mocinhos gentis chegam às nossas casas com o socorro “implorado”.
Um bendito bem alto às empregadas domésticas, que todo dia deixam suas casas por arrumar para atender às nossas, com tudo o que têm de precioso, nossos filhos, os bens... Para que a gente possa afastar-se tranquila, rumo ao próprio trabalho ou, aposentada, exercer outros misteres que nos causem prazer.
Bendito ao produtor rural – criador ou agricultor – que enfrenta os riscos do trabalho, das oscilações do clima e das inconveniências dos financiamentos bancários para trazer-nos os alimentos à mesa.
Bendito aos professores que servem de ponte e de apoio às novas gerações.
Um bendito a todos os operários, da construção, das fábricas de alimentos, vestuários, utensílios, máquinas.
E a todos esses novos servidores que se fazem tão necessários em nossa vida atual: manicures a domicílio cabeleireiros, depiladoras, e tantos outros que acorrem ao nosso chamado urgente, como os “maridos de aluguel” – que invenção bendita!
Bendito ao motorista profissional que vive na estrada transportando gente e mercadorias.
Benditos metalúrgicos, mineiros, exploradores, inventores.
Bendito o mecânico que faz nosso carro andar. E o borracheiro. O entregador de gás que é tão rápido para atender nossa demanda. Nosso almoço de domingo ficaria  a meio  se não fosse ele em sua moto.
Benditos garis que varrem as ruas e recolhem o lixo.
Ai de nós sem eles, nem pensar.
Bendito o carteiro, o entregador de jornais sempre na hora certa, permitindo que no café da manhã a gente consiga ficar atualizada com os acontecimentos do mundo. E os jornalistas, repórteres, cronistas, pesquisadores, quanta gente que nos presta serviço, e que serviço!
Bendito aos atores de cinema, teatro e de novelas! Ah, esses fazem parte de nosso dia a dia, com eles rimos, choramos, vivemos com mais sentimento os dramas humanos que bem conhecemos.
Bendito aos pintores, músicos, escritores, que traduzem para a sua arte o que nós, humanos, sentimos. E nos proporcionam tantos momentos de encantamento e redescoberta de nós mesmos.
Enfim, bendito àquele que acredita no trabalho honesto e nele deposita todo o seu empenho de crescer, servir e ser feliz!
Deus os abençoe e proteja.

domingo, 14 de abril de 2013

CONFESSO QUE CHOREI







Dizem que o número 13 é de azar. Não concordo, mesmo porque nasci num dia treze e me considero afortunada na vida. Não pelo que tenho, mas até por isso, porém mais pelo que sinto, este gostinho de viver cada dia como um privilégio e de poder conviver com quem quero bem.
Mas este ano, já no início, demonstrou ser cruel. A tragédia de Santa Maria suplantou o horror do Holocausto, porque aconteceu aqui, com gente como a gente, conhecidos, parentes de parentes nossos, jovens sonhadores bem sucedidos no vestibular, festejando a vida. Depois, a morte de minha amiga Elsa - que falta ela me faz! Foi seu relógio biológico, preciso entender e aceitar, são coisas que têm de acontecer. E agora meu primo Vicente que na nossa juventude adorava ouvir-me contar comédias a que eu assistia no velho cinema da cidade.   Hoje ele era um cidadão digno, profissional de respeito na firma a que serviu por mais de meio século. Mas sempre com aquele sorriso amigo de quem adora ajudar a quem precisasse de algum favor. Gente fina, marido, pai, avô, irmão, primo e amigo inesquecível.
Hoje tive um momento emocionante. Foi o último dia que meu leiteiro fez sua entrega. Ele vai-se aposentar, tratar da saúde que está precisando de cuidados. Fiquei triste! Uma pessoa adorável, zeloso no trato das vacas e no atendimento a sua freguesia. Um leite puro, limpo, que só fez bem a minha família. Por cerca de trinta e cinco anos ele deixou o litro na porta da nossa cozinha. Silencioso, discreto. No fim do mês era difícil pagá-lo, porque ele saía logo, apressado. Sua vida não tem sido fácil. Levanta às quatro horas da manhã para tratar das vacas, e à noite, por vários anos, teve de buscar uma filha na Faculdade porque era perigoso deixá-la voltar sozinha. Ela já sofrera um assalto, felizmente frustrado pelo motorista do ônibus de onde desembarcara pouco antes. Ele desconfiou do homem que desceu em seguida atrás dela. Não deu outra. Foi a salvação da moça. Felizmente ela já está formada, casada, e meu leiteiro tem essa preocupação a menos, agora que todos os outros filhos também já estão bem encaminhados. Graças a seu trabalho e amor de pai.
Nesta manhã, abri cedo o portão para não perder a chegada dele. E no instante em que me despedi, confesso que chorei, naquele abraço que significou muito, o grande apreço que lhe voto e o desejo que ele seja muito feliz na aposentadoria. Que possa tratar da saúde e desfrutar de momentos deliciosos junto a seus familiares e amigos. Ele merece. Mas preciso contabilizar na minha agenda mais esta perda que vai mudar minha velha rotina.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

PÁSCOA É RENASCIMENTO





Tenho saudades da igreja vestida de roxo, nas quaresmas de antigamente. Agora não há muitas imagens para cobrir. O que vale é sentir que um Deus morreu por nós e ressuscitou, para mostrar que também renasceremos.
No entanto, dessa forma, o calendário transcorre sem grandes modificações, e a gente quase não sente a Páscoa acontecer.
Quando a Semana Santa era o único feriadão dos estudantes passado em casa, tinha outro sabor. Isso digo eu, sem o respaldo dos estudantes de hoje que todo o fim de semana procuram voltar ao aconchego dos seus. Os atrativos das cidades grandes sobre a juventude parece que enfraqueceram.  Não há solidão maior que a das multidões de desconhecidos!
Passando por uma vitrine graciosamente decorada com coelhinhos de Páscoa, fico recordando os ovos de galinha que as mães pintavam para seus filhinhos. Noites e noites recheando-os com balas e amendoins açucarados que elas mesmas preparavam.  Antegozando a alegria dos pequenos, e ao mesmo tempo preocupadas em não sobrecarregar  o orçamento da família.
Tempos em que cada centavo - ou tostão? - era contado e poupado, diante das despesas para custear os estudos dos filhos em outras cidades. Assim, as passagens de ônibus eram usadas apenas para as férias, e não havia ainda o costume das caronas e do dedo levantado na beira da estrada. Imaginem se agora alguém vai fazer isso? Os tempos mudaram, o número de carros centuplicou, os perigos de acidentes e violências também.
Ouvindo uma música daqueles tempos, lembrei meus tempos de estudante e as vindas de ônibus para as férias. Éramos uma turma alegre que cantava durante o trajeto, e os demais passageiros não reclamavam. Tínhamos vozes afinadas, e as canções não eram barulhentas, mas especialmente românticas.  Dona Frida Lang batia palmas e pedia bis. Pessoa querida! Ela nos entendia, conhecia o mundo e as pessoas. Lá de onde ela veio -  Áustria – devia ser comum cantarem nas ruas. Como no filme Noviça Rebelde, tão lindo, com aquelas paisagens dos Alpes. Que coisa, estou devaneando e ainda tenho muita coisa para fazer neste final de manhã.
Desejo que meus leitores e amigos tenham passado uma Páscoa muito feliz. Diferente de antigamente, mas sempre uma festa de amor e de reencontros afetivos.