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sexta-feira, 31 de maio de 2013

NÃO ESTAVA NO MEU SCRIPT







Pronta para sair e começar o que planejara na minha agenda, eis que a chuva e os relâmpagos me prendem dentro de casa. E o pior, faltou energia em toda a cidade. Caso enfrentasse o mau tempo, nada poderia fazer com os bancos e estabelecimentos comerciais sem o sistema. Ah, no tempo em que a caixa registradora podia funcionar manualmente, isso não acontecia. São coisas do progresso, tecnologia para tudo.
Sem computador e Internet, o que fazer nesta manhã inteirinha? A cozinheira, depois das devidas tarefas do dia foi para a cozinha pilotar o fogão. O almoço está garantido.
Minha opção foi organizar o álbum com as fotos tiradas em Paris, nesta primeira quinzena de maio.
Verdade! Um sonho que jamais me passara pela cabeça nas últimas décadas aconteceu. Ganhei uma viagem à Cidade Luz sem ter concorrido a nenhum prêmio. Aconteceu graças à generosidade de um jovem parente ligado a viagens internacionais. Um amor de pessoa!
Uma semana inteirinha para fazer turismo nesse país de primeiro mundo. De vez em quando eu perguntava à minha mana – a inspiradora dessa viagem, avó do nosso “patrocinador”– onde estamos? E ela respondia sorrindo: em Paris. Não lhe pedi um beliscão de medo da dor. Mas dormia e acordava naquele enlevo: estou aqui na Europa, hemisfério norte, cruzei a linha do Equador, atravessei o Oceano Atlântico. Quem diria?!
Para todo o lado eu via belezas: nos edifícios artisticamente construídos, com desenhos em alto relevo representando flores, cenas históricas ou mitológicas, sacadas protegidas com grades de ferro primorosamente esculpidas parecendo finas rendas. E floreiras culminando a decoração, mesmo nos andares mais altos. Soube que os edifícios antigos continuam não tendo elevadores, e seus moradores sobem escadas e escadas todo o dia e a qualquer hora. Por isso são tão  esbeltos e  elegantes. Não vi ninguém gordo, a não ser em grupo de turistas.
Nas ruas, árvores com flores estranhas, umas parecendo cachos de uva, mas brancas ou vermelhas. Canteiros compondo desenhos multicoloridos, do branco ao rosa, do azul ao roxo, e verdes, muitos verdes nas gramas bem aparadas.
Nunca pensei que a Torre Eiffel fosse tão bonita! Nosso hotel ficava próximo, e ela nos pareceu uma vizinha extremamente simpática, mudando de tons conforme as horas do dia. À noite era dourada e emitia raios luminosos que se estendiam ao longe.
O Arco do Triunfo, visto a qualquer hora, dava sempre aquela impressão de luta e de vitória consagrando o povo francês. Estivemos lá um dia depois da celebração do 8 de maio – o fim da 2ª Guerra Mundial.
A Avenida Champs Elisée de calçadas bem largas, uma multidão andando sem precisar acotovelar-se – havia espaço para todos. Linda de dia e de noite. Postes de luz bem próximos uns dos outros dando uma claridade dourada. E as ruas estreitas e tortuosas do Quartier Latin, com seus bistrôs e restaurantes típicos, apresentando pratos de todos os países exóticos imagináveis, Paquistão, México, Grécia... Montmartre -  lembrando os artistas, pintores, de teatro, escritores em suas mei´águas insalubres de antes da fama. E as ruas de lojas famosas, como a Rivoli, que nossa querida guia nos apresentava. Parece que pelo menos uma amostra de tudo nos foi apresentado.
Versailles, os castelos, os jardins, as filas infindáveis de turistas, mas em perfeita ordem.
Não podia faltar o Museu do Louve, é claro! Não deu para gravar os nomes de tantos pintores cujas obras nos chamaram demais a atenção. A Virgem amamentando o Menino, por exemplo. Um mimo! Para quem não precisa mais fazer vestibular nem concursos para cargos, como nós, aposentadas, o bom mesmo era sentir o clima, sem preocupações de novos conhecimentos. Mas o fato é que eu me achava mergulhada na História e na cultura francesas. Chegava a ouvir os cascos dos cavalos das antigas carruagens levando Maria Antonieta – para as festas ou para o cadafalso. Parecia ver as megeras tricotando diante da guilhotina, aplaudindo as execuções, que começaram pelos opressores do povo e terminaram vitimando os próprios revolucionários.
Nossa missa de domingo foi na Catedral Notre Dame. Não poderia ter sido diferente. A emoção que sentimos participando do mesmo ritual da Igreja Católica num país tão distante do nosso! Que nos serviu de inspiração para nossa independência, o heroísmo de Tiradentes, a promulgação de leis protegendo os Direitos Humanos. E seu lema que deveria ser seguido por todos os povos: “Liberté, Égalité, Fraternité.”

No avião, de volta, eu ainda perguntei à minha mana querida: De onde estamos vindo? E ela respondeu emocionada: De Paris!...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

MAIO, MARIA








Maio, Maria... Desde criança que os guardo associados nas minhas impressões mais ternas.
Em Cachoeira, a capelinha do Externato de Jesus Crucificado enfeitada de flores, a imagem da Virgem no centro do altar. E nas salas de aula, murais com o nome de cada aluno subindo degraus até chegar à Maria. Como atingir o topo? Comportando-se bem, estudando, fazendo boas obras, orações, dando bons exemplos.
Minha irmã, também Maria de maio, a Maria augusta, interrompia sua festinhqa de aniversário levando consigo as amiguinhas para a bênção do fim da tarde, na capelinha florida. E eu junto, achando tão lindo: a música, as flores, e principalmente aquela mulher de branco, o véu azul, com o Menino no colo. Um olhar tão bonito pousado na gente. Mas era triste. Parece que ela sofria.
O cheirinho do incenso, velas acesas, a capela cheinha.
A vida foi-me ensinando quem era aquela mulher, jovem, linda e aqueles olhos tristonhos!
Primeiro, com minha mãe e as Ave-Marias. O terço diante da imagem, uma vela acesa pedindo a saúde de alguém.
Veio a juventude, os sonhos. As músicas que ficaram na lembrança. “Rosa de Maio” uma delas. O livro de prêmio ganho do professor querido “A Canção de Bernadete” falando todo dessa mulher admirável – Maria.
Há muitos e muitos maios eu entendo aquele olhar sofrido de Mãe. Que antevia o futuro doloroso do Filho. Sabendo que o iria perder.
No entanto, ela o embala carinhosamente, ensina-o a caminhar, falar, comportar-se. Enxuga suas lágrimas infantis. Alimenta-o, conta-lhe estórias. Curte sua presença cada minuto que pode. Até mesmo o repreende, quando não o encontra no lugar combinado à saída do Templo. Com que dor, imagino.
Quando chega a hora, deixa-o partir para a vida ...e para a morte. Esperando que a qualquer momento seja a hora do adeus. E às vezes gozando da alegria de vê-lo retornar vivo, com os amigos. De poder beijá-lo, dar-lhe o conforto de um lar. E um novo adeus.
Mães de ontem, de hoje, de sempre. Novas Marias que se eternizarão neste mundo. Os mesmos sofrimentos, as mesmas alegrias. Sobretudo, a grande glória de gerar e criar novas criaturas de Deus.
Maio, Maria!
Ah, seu eu pudesse retornar àquela capelinha da minha infância! Sentir-me protegida novamente, olhando aqueles santos nos altares, a Virgem, o Menino. E cantar seus louvores  com as outras crianças, enquanto o incenso se eleva aos céus e desprende aquele cheirinho tão gostoso!