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domingo, 14 de abril de 2013

CONFESSO QUE CHOREI







Dizem que o número 13 é de azar. Não concordo, mesmo porque nasci num dia treze e me considero afortunada na vida. Não pelo que tenho, mas até por isso, porém mais pelo que sinto, este gostinho de viver cada dia como um privilégio e de poder conviver com quem quero bem.
Mas este ano, já no início, demonstrou ser cruel. A tragédia de Santa Maria suplantou o horror do Holocausto, porque aconteceu aqui, com gente como a gente, conhecidos, parentes de parentes nossos, jovens sonhadores bem sucedidos no vestibular, festejando a vida. Depois, a morte de minha amiga Elsa - que falta ela me faz! Foi seu relógio biológico, preciso entender e aceitar, são coisas que têm de acontecer. E agora meu primo Vicente que na nossa juventude adorava ouvir-me contar comédias a que eu assistia no velho cinema da cidade.   Hoje ele era um cidadão digno, profissional de respeito na firma a que serviu por mais de meio século. Mas sempre com aquele sorriso amigo de quem adora ajudar a quem precisasse de algum favor. Gente fina, marido, pai, avô, irmão, primo e amigo inesquecível.
Hoje tive um momento emocionante. Foi o último dia que meu leiteiro fez sua entrega. Ele vai-se aposentar, tratar da saúde que está precisando de cuidados. Fiquei triste! Uma pessoa adorável, zeloso no trato das vacas e no atendimento a sua freguesia. Um leite puro, limpo, que só fez bem a minha família. Por cerca de trinta e cinco anos ele deixou o litro na porta da nossa cozinha. Silencioso, discreto. No fim do mês era difícil pagá-lo, porque ele saía logo, apressado. Sua vida não tem sido fácil. Levanta às quatro horas da manhã para tratar das vacas, e à noite, por vários anos, teve de buscar uma filha na Faculdade porque era perigoso deixá-la voltar sozinha. Ela já sofrera um assalto, felizmente frustrado pelo motorista do ônibus de onde desembarcara pouco antes. Ele desconfiou do homem que desceu em seguida atrás dela. Não deu outra. Foi a salvação da moça. Felizmente ela já está formada, casada, e meu leiteiro tem essa preocupação a menos, agora que todos os outros filhos também já estão bem encaminhados. Graças a seu trabalho e amor de pai.
Nesta manhã, abri cedo o portão para não perder a chegada dele. E no instante em que me despedi, confesso que chorei, naquele abraço que significou muito, o grande apreço que lhe voto e o desejo que ele seja muito feliz na aposentadoria. Que possa tratar da saúde e desfrutar de momentos deliciosos junto a seus familiares e amigos. Ele merece. Mas preciso contabilizar na minha agenda mais esta perda que vai mudar minha velha rotina.

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