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sexta-feira, 22 de julho de 2016

A VIDA CONTINUA




Deixei de acompanhar novelas na televisão. Bastam-me as complicações da vida real. Sofro muito com elas; por que ainda vou sofrer com as desditas dos personagens fictícios?
Às vezes, confesso, dou uma “olhadinha” na tela para ver se as coisas melhoraram, mas me canso de ver as brigas, traições, esforços em vão dos que desejam o bem, e os contragolpes dos mal intencionados que terminam com seus sonhos. Em vez de distrair-me, fico angustiada, e preciso de boas notícias para acalmar-me. Dou graças quando elas vêm alegres e cheias de otimismo pelo whatsapp. Mas, no frio que anda fazendo, não é raro saber de familiares doentes, gripados, com bronquites e outros transtornos próprios do inverno.
Ainda bem que o segundo semestre está chegando. Uma nova página. Que seja mais conclusiva, e os segredos de Estado se revelem por inteiro. É nossa esperança. Do jeito que vai indo, como vamos explicar esse trecho de nossa História às novas gerações? Golpe ou impeachman? Pedaladas ou contas do governo aprovadas? Quem fala a verdade? A mídia nacional ou os jornais estrangeiros que desvendam o que se passa nos bastidores de nossa política – ou melhor dizendo, politicagem? E acusam nossos grandes jornais de mascarar a verdade. Quando saberemos? Talvez no Juízo Final.
Mas a vida não para e segue sua rotina. Breve os jardins de nossas casas vão alegrar-nos com suas flores que agora sofrem tanto com as geadas. Nos campos, haverá por certo um renascimento das pastagens, e cordeirinhos e terneirinhos alegrarão a paisagem com suas traquinagens. Como eles brincam!
Pêssegos terão melhor safra do que o ano passado. Assim as uvas, dizem os entendidos.
Plantações de soja, arroz e outras prometem boas colheitas. Dependendo, é claro, das oscilações climáticas até lá.
Os dias serão mais claros e mais longos, assim espero. Como estão curtos agora! Não dá para fazer metade do agendado. Sobra a noite, mas é hora do descanso.
As notícias serão mais alegres, se Deus quiser... Novos personagens reais animarão nossas esperanças. Que bom saber que temos um caçapavano, delegado federal brilhante – como revelou na última edição minha sobrinha Rosalília – fazendo parte dos trabalhos da Lava Jato, por sua competência e caráter. Thiago Machado Delabary honra as tradições de Caçapava e nos enche de orgulho.
Dá para ver que nossas famílias e escolas locais ainda são capazes de formar dignamente os jovens da terra, que seguidamente se destacam positivamente na vida do país.
E acreditar que nem tudo está perdido, e a vida, dum jeito ou de outro, continua.

Anna Zoé S. Cavalheiro




segunda-feira, 11 de julho de 2016

MEIO CAMINHO ANDADO






Junho passou. Assim, como água escorrendo de uma torneira aberta. Foi muito ligeiro.
Não deu para sentir. Noites estreladas, lua cheia no céu limpo... Nada disso pode ser apreciado. O frio intenso não deixou. Quem sabe os namorados?...
Lembro outros junhos de minha vida. O crepitar das fogueiras de S. João, as cantigas, os balões. “Noites de junho/ há vozes brandas ecoando/ longe.”
As mocinhas faziam provas para ver quem seria seu eleito. Papéis com os nomes de prováveis galãs sob o travesseiro. Na manhã de S. João era só abrir. Havia outras provas, e as meninas adoravam as brincadeiras em grupo.
Hoje, as noites são silenciosas. Iguais a tantas outras de tempos comuns. Apenas no Nordeste as tradições juninas parece não terem acabado. Pelo contrário, dá inveja ver como se divertem por lá e incrementam suas fantasias e folguedos. Aqui, penso que só os pequeninos festejam o santo em suas escolinhas.
Peço perdão, pois nem tudo está perdido. Nos Supermercados e algumas lojas, como a Komaco, funcionários - e até os patrões - vestiram-se a caráter lembrando a grande festa. Dava gosto ser atendido pelas meninas maquiadas, vestidas com trajes caipiras e de chapéu de palha desfiado. Uma graça. E os rapazes também de chapéu, lenço no pescoço e o bom humor na acolhida.
Mas, caindo a fichinha, é de surpreender que o primeiro semestre do ano já passou. Por isso a ansiedade tomando conta da gente. Creio que esta sensação acontece com todo o mundo nesta etapa do ano.
 Contabilizando os acontecimentos, pelos noticiários da Mídia, o Lava-Jato ocupou a maior parte das manchetes. Dando gols a favor e outros contra, pela astúcia de certos réus.
Porém, a vida continuou, gente nascendo, gente vivendo, gente morrendo.
Nosso ídolo local, o Caçapava, voltou a sua terra, à sua família, e aqui foi bem recebido e homenageado, com todo o mérito, vindo a falecer neste final de junho. Deixou a lembrança de um astro de futebol com vitórias espetaculares pelo Brasil afora. Que levou longe o nome de nossa terra, apesar de seu jeito humilde e despretensioso. Lembrei, nas últimas homenagens, a trajetória de sua família. O casamento de seus pais, de que fui testemunha; a sua avó Ernestina, que com a força de seus braços criou sozinha os quatro filhos, entre os quais Tinga, também um jogador de futebol que brilhou nos melhores times do Estado.
Que Deus permita que ela receba o famoso neto na mansão eterna. Junto a todos os membros da família já falecidos.
Pois a vida continua, além da morte. Não vai acabar agora, só porque o primeiro semestre do ano chegou ao fim. E o mês de junho também.
                       
                        




NO EMARANHADO DAS LEIS E DOS LIVROS



Não sei o que fazer com os livros que estão tirando o lugar de outros nas minhas   prateleiras. Doá-los para escolas ou bibliotecas, já tentei. Não caberiam. São do Curso de Direito de um de meus filhos, formado há mais de uma década. Acontece que eles estão ultrapassados. Código Civil e outros de jurisprudência mudaram tanto nestes últimos anos!
Hoje, o processo da Lava jato nos tem mostrado tantas divergências na interpretação das leis. Parecem frágeis e incapazes de punir culpados mais do que declarados perante a opinião pública. Ora eles estão sendo julgados, ora apontam erros dos próprios juízes e até dos Ministros do Supremo.Até o cidadão comum dá palpites como acontece nos lances do futebol. Todo mundo quer ser técnico e apontar os erros.
Mas para acalmar nossos nervos, eis que está chegando para nós, caçapavanos, a “estação dos livros” – a Feira. Bem preparada e coordenada por Pedro Vanolim e sua valorosa equipe, ela nos proporcionará nos próximos dias uma convivência agradável com nossos colegas leitores, palestrantes, escritores e os próprios livros. Esses vêm-me acompanhando em todas as fases da vida e marcam cada etapa, ora feita de sonhos, ora enfrentando a dura realidade. Lembro os livros de Cronin com personagens lutando por seus ideais. E desvendando o mundo lá da Irlanda e seus preconceitos religiosos. Lembro Pearl Buck levando-nos a conhecer a cultura da China, seus tabus, virtudes e defeitos. Todas as leituras ajudando-nos a conhecer e compreender o mundo fora de nós, pois alargam nossos horizontes e a capacidade de sentir-nos parte de um todo. E o melhor de tudo: nunca nos deixam sozinhos sabendo que lá do outro lado do mundo alguém pensa e sente como nós. Um doce remédio para, principalmente, a fase da adolescência, quando nos julgamos incompreendidos.
Muitas vezes dou falta de livros que deixei de encontrar em meus armários. Quando surge oportunidade, trato de buscá-los nos sebos. Pois numa Feira do Livro em Porto Alegre o milagre aconteceu. Foi assim: alguém certa vez me emprestou um livro de Aghata Christie - “O caso dos Dez Negrinhos” - um dos poucos que faltava na minha coleção. Passei, então, a procura-lo nas livrarias em vão. Quando já desistira, vou à Feira na Praça da Alfândega e chego numa banca e outra, procuro autores conhecidos, olho os preços e vou desistindo. Mas num enorme cesto de livros, a cinco reais cada, resolvo mergulhar minha mão, e ela sai com um livro lá do fundo. Adivinhei qual era? “O caso dos Dez Negrinhos”. Acreditem. É a pura verdade.
Milagres existem, por isso continuo na esperança de encontrar “Alice no País das Maravilhas”, livro da minha infância que perdi pelas curvas do caminho. Mas precisa ter a mesma encadernação, as mesmas gravuras, a capa de pano verde como era costume na época.
Até lá, continuarei procurando.
                                   Anna Zoé Cavalheiro