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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ROSQUINHAS NO PESCOÇO

Há tantas lembranças perdidas, e se assim não fosse, o que seria de nosso cérebro? Até os computadores rejeitam conteúdos demais. Agora mesmo, meu micro avisa que vai compactuar as matérias recebidas. Não cabem...
Pois um dia dei para lembrar das rosquinhas no pescoço. Que não se vêem hoje em dia, e ninguém fala nelas. Minto, um dia destes alguém falou. Isso depois que eu fiquei pensando nelas dias atrás. Acontece muito comigo. Passo tempos sem saber notícias de alguém, e é só pensar nessa pessoa que dentro de vinte e quatro horas alguma notícia vai surgir. Ou ela mesma reaparece depois de um prolongado sumiço.






Foi assim com as rosquinhas no pescoço.
Minha infância sem televisão, computador, celular ou rádio de pilha, teve muito pátio para brincar. Nas tardes quentes a gente se entretinha debaixo de uma árvore com o que houvesse ao redor. Fazíamos comidinha de comadre para as bonecas, que eram enfeitadas com colares fabricados por nós com as flores à mão. Geralmente eram as “maravilhas”, de diversas cores, pois tinham um formato especial para encaixar. Pretendo semeá-las nos meus canteiros.
No fim de uma tarde naquele cenário rústico – os terrenos não eram cimentados – a sujeira da terra ficava impregnada em nossos corpos suados. Mãos, pés, rosto, o corpo todo assimilando aqueles grãos de terra, o banho da tarde era uma necessidade de que nenhuma criança podia fugir. Os mais rebeldes molhavam a cabeça e diziam que estavam limpos, mas a mãe examinava o pescoço e descobria as temidas rosquinhas. Até um algodão embebido em álcool elas passavam para as danadinhas sumirem. O pescoço acabava ficando vermelho. Era o jeito!

Hoje as crianças se entretêm desde cedo com o computador. Não suam e vão limpinhas para o banho do fim do dia. Mais do que conveniente agora -  só por causa do calorão, senão ... Bonecas e carrinhos ficaram de lado, os jogos virtuais são mais atraentes e demandam menos energia. Para conversar com elas é muito difícil, estão sempre on-line, não nos dão atenção. Seu mundo é outro, e elas estão-se criando sem as experiências de outrora, sem as histórias e anedotários da família, sem os diálogos entre irmãos, primos, pais e mães. Será que evoluíram?

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