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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

AS PRAGAS SE SUCEDEM





Tempos difíceis, como nunca havíamos sofrido, agora estamos vivendo. Quando não é o desgoverno do país, corrupção, malversação dos bens públicos, resultando em desemprego em massa, falta de recursos para a Saúde, a Segurança e a Educação, até o clima vem-se mostrando hostil. A tragédia de Mariana ainda terá suas consequências por muitos e muitos anos. Os ciclones que abalaram Porto Alegre e a região metropolitana deixaram um rastro de destruição que levarão um bom tempo para que a capital volte ao normal, e o medo não será facilmente esquecido.
São agentes externos que poderiam ser evitados, exceto os causados por El Nino, caso tivéssemos governantes sérios e empresários que não visem apenas os lucros, mas que sejam  verdadeiramente conscientes de sua responsabilidade perante a nação. E um povo disciplinado que entenda o que é democracia, que respeite a natureza e a preserve – afinal, “ela é um bem gratuito, que nos foi dado por Deus, para que o preservemos e deixemos de herança às novas gerações.” Como declarou nosso Papa Francisco nas intenções de orações para este mês.
Lembro um vídeo que passava na TV, numa campanha publicitária de décadas atrás. Era a figura de uma mulher à janela. A chuva começa e vira tormenta. Um bueiro logo ali na sarjeta começa a entupir, e um montão de lixo vai-se acumulando. O vídeo termina com a água da chuva subindo, subindo, e a pobre mulher apavorada vendo sua casa completamente inundada. Fico lembrando a doméstica, e tantas outras, que jogam a sujeira nos bueiros das esquinas. Conforme uma delas, que questionada, sacudiu os ombros e disse “Não estou nem aí.”
Agora são os mosquitos e a Zica Vírus que estão nas manchetes. O que diria nosso grande médico sanitarista Osvaldo Cruz se revivesse? Voltaram as pragas ao Brasil, ao Rio de Janeiro - sede das próximas Olimpíadas, a capital do carnaval, que atrai turistas de todo o mundo - e aos estados nordestinos e a todo o país. O que será de nós, quando mais precisamos de mentes jovens, lúcidas e competentes para endireitar o Brasil?  Quando a microcefalia seá-se alastra assustadoramente? Pobres criancinhas, pobres mães, pobres de todos nós.
E os focos de propagação dessa praga continuam na maior parte sem tratamento. Pessoas indiferentes não encaram seriamente o problema, ou como aquela doméstica preguiçosa, “não estão nem aí.”
Estamos precisando de estímulos para acreditar que há uma luz no fim do túnel. Que melhores tempos virão.  Mas é  urgente que as novas gerações deixem de preocupar-se apenas em gozar a vida, nas baladas, nas drogas, e enfrentem os problemas. Que surjam entre eles muitos líderes iluminados apontando novos caminhos.
Outro dia, no entanto, uma professora particular de Artes teve a placa que fizera bem bonita, com o nome do curso, à frente da casa, arrancada e levada por um bando de jovens. Ela se pergunta se as mães deles não os questionam de onde tiraram esses “troféus” que levam  consigo. Não querem incomodar-se com as respostas, ou eles não lhes dão conversa?
Certa noite, vândalos passaram nas ruas aqui perto atirando pedradas nas janelas. Muitas vidraças quebradas, e o susto, então! Parecia uma bomba o barulho que fez. Prejuízos que não constavam da agenda de gastos. Pior foi a sensação de insegurança dentro dos lares atingidos.
Não haveria brigadianos suficientes para conter essas hordas. Elas irrompem aqui e ali por quem não tem mais o que fazer. Falta o quê? Educação no lar, bons exemplos dos pais, respeito às tradições e bons hábitos de convivência em comunidades.
O Carnaval já passou. Vamos começar o ano agora. Removendo os entulhos, as mágoas, acabando com os focos dos mosquitos e pondo mãos à obra de reconstrução dos estragos. Tudo é possível, quando acreditamos na misericórdia divina e na bondade que deve existir na alma humana. Pois não fomos criados à imagem de Deus?
                                   Anna Zoé Cavalheiro



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