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sexta-feira, 15 de março de 2013

MOMENTOS QUE VALEM UMA VIDA






No momento em que eu tirava o carro da garagem, meu filho mais velho telefonou: “Mãe, estás onde?”  Saindo. “Fica em casa descansando.” Mas com um dia bonito desses!
Se ficasse, teria mil coisas para fazer, agora que iniciei a arrumação de papéis, cartas antigas, cartões. Quem se interessará por isso depois de mim? Vou esperar os dias de chuva para essa tarefa.
Mas o celular nos alcança em qualquer parte, não há como fugir ou deixar de prestar contas. E diante da preocupação de meu filho por meu bem estar, uma imagem muito bonita me veio à lembrança: ele devia ter pouco menos de três anos, e o maninho era nenê. Estávamos no quarto, o caçula dormindo no berço, eu sentada à escrivaninha corrigindo lições de alunos, com o primogênito no colo. Era uma das maneiras que eu encontrava de conciliar minhas duas missões – maternidade e magistério. E o maiorzinho entendia bem disso, pois aproveitava todos os momentos de minhas disponibilidades para receber o carinho e atenções merecidas.
Foi numa dessas que ele me disse:
-Mãe, cando eu quecê, vou istudá, tabalhá, compá arroz, fejão, e tu vai ficá em casa bem feliz dicansando.
Hoje ele já estudou, conquistou seu lugar no mundo do trabalho, tem sua família, mas não deixou de cumprir  aquelas promessas. Graças a ele tenho todos os anos meu veraneio garantido na praia, em seu apartamento inteiramente à minha disposição. É só agendar durante o ano. E no planejamento de suas residências (ele mudou algumas vezes) ele sempre teve a preocupação de destinar-me um quarto com todo o conforto possível. Recentemente me presenteou de aniversário um carro novo para substituir o fuquinha que começava a dar-me trabalho.
Meu caçula não planejou meu futuro. Seu temperamento é de viver o presente com toda a intensidade. Sendo assim, cuida que eu esteja em dia com as novidades eletrônicas e outras descobertas modernas. Por sua inspiração foi que me iniciei na Informática, na TV a cabo e agora neste blog, para compartilhar com meus semelhantes de meus estados de espírito e lembranças. A TV que me deu de aniversário tem canais em HD que me oferecem imagens de alta fidelidade. Um duplo prazer – de contemplá-las e de saber que foi um presente de amor e muito carinho.
A imagem que me vem neste instante é daquele menininho de olhos azuis esperando-me no portão de casa com um ramalhete de flores na mão.  Mas eu tinha de pagar por elas – era o pedágio para passar. E outro inconveniente: elas tinham sido colhidas do meu jardim com os talos muito curtos, não dando para pô-las em vaso. Murchavam logo, coitadinhas! E ele era tão novinho! Na idade da inocência.
São momentos muito ternos que me fazem pensar que a vida vale a pena ser vivi

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