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domingo, 6 de abril de 2014

FORA DOS EIXOS





Há quem se queixe da rotina. Eu, não. Estabelecer uma programação, realizar as tarefas e poder aperfeiçoá-las pouco a pouco, modificando o que precisa, inovando em alguma coisa para ficar melhor, isso eu entendo. Mas o que muda de repente, sem uma continuidade -  assim como os governos da era atual -  nada tem de positivo. Cada governante que sobe desmancha o que o outro realizou, e assim vai.
Lembro-me dos tempos de estudante, de nosso patriotismo, dos ideais... Quando a gente sonhava com a vinda da estrada de ferro para nossa cidade. Mas já então a desculpa dos governos é que tínhamos muitas serras, seria por demais oneroso. A mesma desculpa para pagarem mal os professores ainda hoje. Somos milhares... E as rodovias chegaram de todos os lados, uma bênção, mas também quantos malefícios, tragédias, estradas precisando constantemente de reparos que não chegam. Cargas pesadas demais que poderiam ir de trem ou de barco e estão acabando com o asfalto.
No meu tempo de estudante,  o orfeão da escola - uma obra de arte da regente Diná Néri, discípula que foi de Vila Lobos - tinha renome, e éramos convidados para cantar em eventos escolares de todo o Estado. Porto Alegre, Uruguaiana, e até Paso de Los Libres, Itaqui, Santa Cruz, Alegrete, Santa Maria e outras. Nossas vozes juvenis cantavam as belezas e riquezas do Brasil, o melhor país do mundo, com a bandeira mais linda e o povo mais feliz. Era o que sentíamos. “Estás vendo aquela enorme cordilheira,/ muito além da Mantiqueira, é Brasil./ Estás vendo aquele ninho de gigantes,/ esses campos verdejantes, é Brasil. /Tem o ouro, tem petróleo, carbonatos, diamantes,/ e tem rios caudalosos e cascatas deslumbrantes,/ tem o ferro, tem cristal, tem madeira tem carvão/ e tudo isso é teu, bandeirante do sertão. Nossos corações pulsavam de orgulho e de esperança.
Hoje, parece que o mundo perdeu o seu eixo. Muita gente está solta sem saber onde apegar-se. Ouvindo certo dia dois jovens conversando sobre política e economia, condenando a tudo e a todos os envolvidos na gerência do país, caí na tentação de perguntar-lhes: E vocês, o que vão fazer para consertar os erros e acertar o rumo? Os coitadinhos se olharam, encabulados, e não souberam o que responder.
Por isso eu continuo acreditando, a rotina é necessária, é um ponto de partida para maiores vôos. Se nas férias escolares, por exemplo, seguissem a rotina de restaurar as salas de aula para no retorno do ano letivo estarem em dia, não seria uma bênção? E se aproveitassem para nomear os professores aprovados em concursos nessa época? Como nos tempos idos, quando não faltava professor.
Dói ver continuamente nos noticiários o estado em que se encontram as escolas do país. São péssimas as condições onde as crianças e jovens deveriam estar recebendo o melhor preparo para a vida moderna, dotada que é de tecnologia de ponta, mas cujos computadores doados aos educandários não resistem às goteiras dos telhados.

O mundo continua girando sem fuso.  E as pessoas se agrupam de acordo com suas expectativas, ou melhor, com seus anseios de melhor qualidade de vida. Os jovens nas baladas, os adultos no trabalho ou à procura dele, os idosos em visitas de solidariedade e conforto, e os criminosos... Esses é que têm o melhor preparo e eficácia. Mas o crime não compensa. Foi o que aprendi e ainda acredito. Tal como nos filmes de água doce, o amor há de vencer e só ele poderá endireitar o mundo. Amém.

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