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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

EFEITOS COLATERAIS






Ainda bem, disseram os familiares. Com a notícia de que não houvera feridos nem perda total do automóvel, todos respiraram aliviados.
Mas a vítima do roubo, quase latrocínio – pois ele estivera todo o tempo do assalto sob a mira de um revólver – ainda não se recuperara de todo. Foram momentos de muito medo que jamais esqueceria. E não foi só. Por pouco não perdera o emprego que não era lá essas coisas, mas, enfim, nesses tempos de crise foi o que conseguira até então. Mas aquela entrevista marcada para um novo, bem mais vantajoso, não pode ser realizada. Passou da hora com toda a confusão. Azar! Outro deve ter ocupado o lugar, havia uma considerável fila de candidatos.
 Mais problemas foram surgindo, além de insônias, pesadelos e tratamento para os nervos. Sem o automóvel, como poderia realizar seu trabalho atual?
A firma em que trabalhava ficava noutro município da região metropolitana, e os horários de ônibus não lhe serviam.
A solução apontada por familiares e amigos foi alugar outro carro até que o seguro lhe restituísse o seu, o que nunca vem inteiro, sempre fica abaixo do que ele tinha antes. Que fazer?
Fazendo as contas no final do episódio, a pobre vítima concluiu que estava pagando para trabalhar. Por culpa dos tais “efeitos colaterais” que na hora da ocorrência ninguém consegue avaliar.
Na vida é assim, nada pode ser previsto exatamente. Por mais meticuloso que seja o programador em sua agenda, fatos independentes de sua vontade vão acontecendo, e o roteiro tem de ser modificado.
Aquela “Azulzinha”, que flagrou o juiz infrator no trânsito, quando iria imaginar que seus próximos dias seriam tão diferentes do planejado?  Os efeitos colaterais estão batendo forte na sua rotina. O que fazer com suas contas de cada mês, mais as adicionais que sempre surgem? Vejo por mim, até o meio do mês consigo saber o que devo pagar: água, luz, telefone, internet... Da segunda metade para o fim do mês vêm as surpresas; conserto de eletrodomésticos, uma torneira que pinga, o chuveiro que queima... Nunca se sabe de onde vem o estrago, e o que a gente pensa que vai economizar lá se vai.
No caso da Azulzinha, os efeitos colaterais ganharam dimensões de tirar seu fôlego. Mexeram com os poderes da nação, ocuparam as redes sociais, deflagraram calorosas discussões sobre a justiça nacional e aqueles que são os responsáveis para que ela seja aplicada devidamente. Será que ela é cega mesmo?





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