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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

TRAVESSURAS DE "EL NIÑO"





Agora não há perigo de faltar assunto. Quando duas pessoas conhecidas se encontram lado a lado em salas de espera ou fila de banco, falar do tempo enche os espaços, pois se não são novidades – todo o dia chove – as circunstâncias mudam um pouco. Ora é o granizo destelhando casas, ora as ruas e estradas  alagadas e cheias de buracos dificultando o trânsito, quando não é a roupa molhada que não tem jeito de secar. Donas de casa, então, essas reclamam bastante. Sem falar nas enchentes...
Nossa primavera, este ano, esperada com tanto ânimo como desfecho de um inverno cheio de vaivéns na temperatura e na cara do tempo – verão em julho, imaginem! Pois é, agora ela surge com raios, trovões e promessas de ventanias em nossa região.
Mas não há um dia igual ao outro. Cada manhã, à chegada da Lígia, eu pergunto se está frio ou faz calor, se chove ou tem sol, tudo é uma incógnita. Guio-me pelo que ela está vestindo, japona pesada ou blusa leve, varia muito.
Acho até graça quando observo a vitrine de uma loja de modas nova que prometia tantas novidades de inverno. De manhã, aparecem roupas quentes, e à tarde seus manequins já mudaram para estações mais amenas. Pobres proprietárias! Precisam estar bem atentas para a demanda de sua freguesia.
Mesmo assim, temos de pôr as mãos para o céu e agradecer a Deus por nossa cidade não ter sofrido males maiores, nem enchentes nem deslizamentos. Nosso solo é firme, e os ventos frios servem é para enrijecer ainda mais nossa têmpera de gaúchos dos pampas sul-riograndenses.
O que vem acontecendo este ano, não falando em economia e política, é por culpa de El Nino. Dá para entender por que o chamam assim. É um menino p´rá lá de travesso. O terremoto no Chile deve ter tido sua mão, não sei, não entendo de meteorologia, mas... Destruição de centenas de casas em diversas cidades da Região Sul, pessoas perdendo tudo, teto e o que estava dentro. Anos e anos para adquirir esses bens, e de uma hora para outra lá se vai tudo água abaixo. Em geral, essas catástrofes acontecem onde moram pessoas humildes, trabalhadores de baixo salário, pessoas que mal conseguem ficar em dia com o projeto Minha Casa, Minha Vida. Agora o governo está retomando os imóveis de quem não paga por mais de três meses. Sanar as dívidas de que jeito? E o desemprego aumentando...
Enquanto isso, os cidadãos deste país procuram adaptar-se não só às mudanças climáticas como às novas leis que, via de regra, não os beneficiam. Pelo contrário, estão exigindo de sua parte mais e mais sacrifícios. Mas, se é para que o Brasil volte a ser respeitado como país livre e bom pagador, e possa disponibilizar com plenitude os serviços indispensáveis a seu povo – educação, saúde e segurança – tudo bem. Vamos viver dentro da realidade, produzindo mais do que consumimos para equilibrar as finanças. E compartilhando do que temos com quem mais precisa.
O bom é saber que o crime não compensa. E todo dia novos figurões que viviam nas alturas lesando nossos bens públicos agora estão algemados e seguindo para o cativeiro. E aqui fora, no núcleo da classe média baixa e dos pobres, como nas novelas da Globo, é onde se notam mais risos e amor, numa vida simples de ajuda mútua e feliz.



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