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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

PINGO NOS iis






Faltou o acabamento. É a sensação que fica ao substituir a folhinha na parede. Mais um ano que se vai e não disse a que veio.
O verão começou, porém mais se parece aos da Europa. Sol muito escasso. Por isso as melancias não estão bem doces. Uma pena.
Pelo menos estamos vivendo umas férias de assuntos políticos.  Aqui o ano começa mesmo é em março. Até lá não estaremos acompanhando os debates na Câmara ou no Senado, e os parlamentares talvez voltem do descanso menos agressivos e mais esclarecidos. Presidentes permanecem em seus lugares, por enquanto... Vamos relaxar um pouco. Merecemos.
Mas outros problemas nos afligem. Os aumentos dos preços de tudo, gasolina, frete, contas de água, de luz, alimentos, transporte, que coisa! E o novo salário mínimo começa a vigorar ainda neste mês. Pena que o das patroas não teve a mesma proporção. Está emendando com o das empregadas domésticas. Legisladores e gestores da economia,  tenham dó!
Buscando distração, procuramos pelos canais da TV algum filme, série, comédia ou programa que valha a pena. Mas até aí a crise chegou. Meu seriado predileto das seis às sete e meia da manhã – e eu acordava cedo para assisti-lo – desapareceu da tela. Sem adeus nem explicação. O substituto não chega a seus pés. E os filmes são muito violentos. Não só matam como surram mesmo. Quebram a cara do inimigo com toda a raiva. Acho que nossos bandidos aprendem com eles essa brutalidade.
Os noticiários não são nada animadores. Tragédias vitimando famílias inteiras. Assassinato de pessoas por engano.  Geralmente um jovem ou adolescente que não tinha nada a ver com a coisa. Afogamentos, acidentes de trânsito, violências, é difícil encontrar alguma notícia animadora.
Quando num confronto entre policiais e bandidos acontecem algumas mortes, ficamos torcendo para que não seja nenhum dos soldados. É o nosso lado bandido. Parece até um filme de mocinho de outros tempos. Quando bem e mal ficavam claramente em campos opostos. Infelizmente nos dias de hoje muitas vezes é a polícia que erra. E a gente  vai perdendo a confiança.
O mal dos tempos atuais é a tal Aldeia Global preconizada pelo filósofo canadense Mc Luhan. Na era da informação, do computador, diz ele, as comunicações são mais rápidas e eficientes do que pela imprensa tradicional da palavra escrita. Ficamos sabendo de tudo o que se passa em todo o mundo na mesma hora. E com imagens a cores. Quando a notícia é boa, tudo bem. Mas as tragédias são em muito maior número. E abalam a gente.
Mas nem tudo fica esclarecido. Notícias vêm como avalanches que vão aos poucos perdendo a força e desaparecem de cena. Fica no expectador a pergunta: o que aconteceu depois com os protagonistas dos fatos? Encontraram a criança perdida? E o assassino foi descoberto e preso? Recuperaram os bens roubados? Como está vivendo a menina que perdeu toda a família?
E eu fico pensando: onde andará aquela senhora com o mal de Alzheimer que desapareceu sem deixar rastro? Seria muito bom saber que ela teve um final feliz.
Com todas as transparências de nossas tecnologias modernas, está faltando um ponto final, ou melhor, alguns pingos nos iis.

Anna Zoé Cavalheiro


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