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terça-feira, 8 de maio de 2012

AMOR DE MÃE

As coisas nunca acontecem sem uma razão, um antecedente. E por isso se repetem em ciclos. Assim tem sido a história da humanidade. Agora é a vez de recém nascidos jogados nas lixeiras. Rejeição de bebezinhos tem acontecido desde os tempos bíblicos. Mas a maneira de abandoná-los é que varia, em nome da evolução que nem sempre é para melhor. No caso atual, chega às raias da deterioração dos sentimentos humanos, em especial o da maternidade que parece em crise. Já perdi a conta de quantos desses serzinhos foram jogados no lixo nestes últimos dias em todo o país, sem faltar o nosso Estado. Pensar que alguns estiveram na iminência de serem triturados pelo caminhão de coleta! E salvos por segundos, porque deram sinal de vida, chamando a atenção de circunstantes. Moisés teve uma história diferente: ele foi abandonado por amor, para escapar da morte certa ordenada pelo faraó a todos os primogênitos varões das famílias judias. Por isso ele foi bem acondicionado num cesto de vime, envolto em mantas e largado bem próximo às margens do Nilo. Sabemos, pela História Sagrada, que a princesa real ficou feliz em adotá-lo, e um irmãozinho foi contar à mãe que o maninho fora salvo. Para mais tarde tornar-se o líder da libertação de seu povo em busca da terra prometida. Em nossos dias, porém, o que acontecerá a essas crianças que tiveram um começo de vida tão cruel? Mesmo salvas, adotadas, bem criadas (nunca se sabe), não ficará uma marca dessa rejeição em sua personalidade? Herança genética, talvez, porque aquela que abandona seu próprio filho à sorte tão terrível deve ter um coração de pedra, onde os bons sentimentos não vingaram. Mas não podemos condená-las sem conhecer sua história: miséria, abandono, falta de perspectivas de vida. Quem chega ao fim do poço e não consegue ao menos valorizar-se, querer-se bem, não pode estender a outrem seu afeto. Para elas, quem sabe, a melhor sorte para o filho que nasce pode ser a morte, pois que a vida lhes parece sofrimentos e desencantos. Houve outras causas para o abandono dos filhos na trajetória da história, e as novelas radiofônicas de décadas atrás estavam cheias desses enredos de mães chorosas e arrependidas. Naqueles tempos de sociedades cheias de preconceitos, as causas de rejeição eram ligadas às honras das famílias que não admitiam um “mau passo” de suas filhas e tratavam de esconder suas conseqüências. E o inocente recém nascido tinha de desaparecer. As águas do Nilo já deixaram de ser o lugar de resgate de bebês abandonados à sorte. Depois vieram as Rodas das Casas de Misericórdia, onde eles eram depositados na calada da noite pela mãe desesperada por não poder mantê-lo consigo. Miséria, preconceitos... Agora são as lixeiras e os caminhões da limpeza pública. Hoje os chás de fraldas de mães solteiras demonstram que pelo menos esse tabu desapareceu. Se houve infração aos códigos da moral e dos bons costumes, não se penalize, porém, o inocente que não pediu para nascer, mas merece a vida. Ah, que saudade de sentir o cheirinho gostoso de um bebê recém saído do banho! A família toda assistindo, cada um alcançando uma peça do vestuário, rápido, rápido, que o pequeno está tremendo o queixinho de frio! Quando o amor tem reservas infindáveis para repartir e acolher os que nascem, é outra vida, e assim deveria ser para todo o mundo. São meus votos fervorosos no próximo dia das Mães. À minha mãe amorosa, às tias que nos cuidaram, à tia Neusa, segunda mãe de meus filhos, às minhas manas, que são mães de todos os momentos, já na segunda edição – avós – e a Doty com os bisnetos, meu reconhecimento sincero, minha admiração e votos de muitas alegrias com seus “pedaços” como dizia mamãe, no seu dia e sempre. A todas as mães do mundo, que se façam dignas desse nome santo. E felicidades, companheirismo, compreensão e que sejam plenamente recompensadas por todo o seu amor.

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