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sábado, 6 de maio de 2017

"PROGRAMA DE ÍNDIO"





Cada vez que entro na cidade pela Rua Barão, lembro o incidente da jornalista forasteira que veio a Caçapava para aproveitar um feriado. Saiu daqui só criticando, desde a rua de entrada, com “casas velhas, faltando pintura...” e mais outras particularidades desagradáveis, como falta de restaurantes e hotéis. Sei que ela ficou na lista das pessoas “não gratas”, que jamais deveriam voltar aqui.
Aconteceu também com o famoso Carpinejar – brilhante escritor, na minha opinião – que chegou às duas da tarde numa churrascaria e desejava um churrasco recém saído do espeto.
 Pois é, mas esses programas de última hora, principalmente aos feriados ou fins de semana, sem planejamento, só podem dar no que deu.
Agora, neste feriadão de 1º de maio, soube de um casal que foi a Rivera pensando em fazer algumas comprinhas e, claro, apreciar os afamados assados de lá. Pretendiam passar a noite e, bem descansados, realizar os seus planos no dia seguinte. Mas, qual! Não encontraram vaga nos hotéis, nem nas pousadas. Uma multidão de brasileiros havia pensado o mesmo que eles. E chegara primeiro. Tiveram que pernoitar em Rosário e faltou coragem de retornar para as compras.
Nossa turminha de aposentadas que sempre vai a restaurante aos domingos, resolveu aproveitar a visita da filha de nossa amiga Leila, vinda do Rio de Janeiro onde reside, para dar umas escapadas da cidade. E realizar um velho sonho de conhecer a região da 4ª Colônia. A carioca foi a nossa motorista. Um ás no volante. Também, acostumada a dirigir no Rio, na China, onde morou por cinco anos, nos Estados Unidos e outros lugares, foi uma condutora perfeita. Viagem tranquila, guiada por GPS.
No trajeto, íamos pensando na boa comida da colônia que nos aguardava; nos afamados produtos de lá, cucas, queijos, salames e outras coisinhas deliciosas, e a fome foi aumentando.
Fomos passando por várias cidades pequenas, mas tão limpinhas e de casas bonitas, praças aconchegantes, flores e árvores por todos os cantos. Nenhum cachorro vira-lata nas ruas. Procuramos um restaurante que parecia bem animado. Entramos - e as mesas todas ocupadas – pedindo uma para quatro. A mocinha perguntou se tínhamos reservado. Então, ficamos sabendo que as reservas teriam de ser de uma semana atrás.
Seguimos adiante, e o mesmo acontecia. Turistas bem acomodados almoçando enchiam todos os espaços. E nós... Sem reserva não dá.
Finalmente, depois de passar por mais duas ou três cidadezinhas, vimos na vidraça de um Posto de Combustível, as palavras tão esperadas: “Restaurante “Bifão”. Minha mana se animou: Um “à la minuta” seria muito bem-vindo. Sentadas à mesa, suspiramos aliviadas. Ângela, nossa motorista – era o brotinho da turma - foi-se entender com o dono. E ele logo retornou com os pratos, dois a dois. Eram os tais PF - para nós, o “completo” - que quer dizer: “prato feito”. Pensei que não ia dar conta, mas qual, a fome venceu. Verdade seja dita, estava bem gostoso.
Foi um programa de índio, mas valeu a pena. As paisagens, aqueles montes cobertos de mata virgem, as cidades sem poluição, nem vilas miseráveis, casas bonitas e sem grades, gente educada, um ar puro oxigenando nossos pulmões!... E aquela atendente do Quiosque de Informações Turísticas que telefonou para diversas padarias pedindo que nos recebessem e pudéssemos trazer as gostosas cucas. Que pessoa amável e competente!
Finalmente, um Café Colonial onde a gente se servia à vontade, só pagando por quilo. Assim é mais justo. Pagar o café inteiro sem consumir nem a terça parte não dá.
Concluindo, nosso passeio deixou gratas lembranças. Conhecemos essa parte do Estado tão autêntica em sua maneira de ser, de viver e produzir. Que se auto-sustenta e fica satisfeita com o que contribui para as tradições gaúchas de colonização italiana. E o prazer da companhia de pessoas que a gente ama – a nossa turminha de domingo enriquecida com a presença da Ângela, que aprendemos a querer bem. Foi muito bom!
                           Anna Zoé Cavalheiro

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