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domingo, 4 de novembro de 2012

A VIDA E OS LIVROS










Não é à toa que o mundo tem a forma de uma bola: vivemos dando voltas sobre nós mesmos e a respeito de todos os acontecimentos. É a vida que vai evoluindo, evoluindo, até começar a dar ré!
Mas em tudo existe uma lição e muitas compensações.
Estava agora pensando como as leituras dos mesmos livros nas diferentes etapas por que passamos parecem sempre novas. É que cada vez que lemos a mesma história, certos aspectos sobressaem mais do que outros, e aqueles que nos enlevaram na juventude não são mais os que nos empolgam nesta hora chamada de 3ª Idade.
Hoje bendigo os tempos em que me foi dado comprar e ler livros. E com prazer releio os mais queridos, sempre com redobrado interesse.
Os romances policiais foram minha paixão desde os quinze anos.
Quando descobri Aghata Christie, a Dama do Mistério, foi como achar um filão de ouro.
Lembro que ficava fascinada pelos métodos de seus detetives desvendando  assassinatos e chegando aos culpados de maneira inteligente e sem violência. Até os crimes eram mais educados do que aqueles que aparecem agora nas crônicas policiais.
Hoje o que me agrada mais na sua leitura é o dom da escritora em realçar as coisas óbvias de nosso cotidiano com um encanto todo seu.
Gosto de Miss Marple na sua casa estilo vitoriano, em meio a seu mundo de louças da família, que a velhinha esconde da empregada estouvada que teima em empilhar tudo de uma vez só na pia, para lavar. Só de pensar nos prováveis estragos, a velhinha tem arrepios...
Miss Marple é uma das personagens de Aghata Christie. É uma velhinha suave, bisbilhoteira, que conhece muito bem a natureza humana, pois tem amostras de todos os tipos em sua vila St. Mary Mead, próxima a Londres. Ela descobre  facilmente as tendências boas ou más das pessoas à sua volta, e somando-as com as circunstâncias próximas e remotas, fica-lhe fácil chegar ao culpado.
Estou relendo (pela vigésima ou quinquagésima vez) um de seus livros, em que Miss Marple convalesce de uma forte gripe. A conselho médico ela tem de contratar uma enfermeira acompanhante que lhe tolhe a liberdade. Por isso ela fica sentada à janela, bem agasalhada, tricotando, mas seu pensamento voa além do jardim, onde um velho jardineiro concorda com todas as suas ordens, mas acaba fazendo só o que bem entende. E a boa velhinha não vê a hora de voltar às suas flores, às reuniões de senhoras da Paróquia e à sua vidinha ativa, apesar da idade avançada.
Ainda não cheguei à parte central da história - o crime -, mas esses preâmbulos me bastam, é interessante conhecer os perfis dos personagens que a escritora sabe tão bem descrever.
Fico imaginando a vida social da personagem, as reuniões com as velhinhas, o chá da tarde, os “muffins”. É onde rolam receitas de guloseimas, e o tricô ganha várias carreiras enquanto as novidades são trocadas com vivo interesse. O sistema de calefação faz esquecer o frio lá de fora. Ah, quem dera pudéssemos copiá-lo aqui nos nossos invernos!
Quando comparamos esse conforto com a miséria de tantos ao nosso redor, e os problemas sociais que se avolumam, os culpados de colarinho branco vivendo no luxo, ah, que vida bem complicada! Ainda bem que o julgamento do Mensalão nos dá alguma esperança de que ainda há gente honesta nas altas esferas. 
É bom viver o presente, e esses momentos de paz, na leitura de um bom livro, num ambiente aprazível, não é de desprezar-se. É preciso curtir! A vida flui, e os problemas se resolvem com o tempo! Vão aparecer outros, é o nosso mundo!...

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