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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

SOL E SOMBRA






Na manhã clara, sem vento, apenas o sol era presença na rua, além de uns cachorros mal amados farejando o lixo das sarjetas, na falta de melhor programa.
Eis que tenho o privilégio de assistir ao exato momento de uma folha cair, desprendendo-se do ramo. Eu e um beija-flor que, de susto, voou de ré e foi explorar outra folhagem mais densa.
Passou por mim um idoso de bengala e não respondeu a meu cumprimento. Pensei: será que estou invisível?  Talvez o coitado não enxergue bem. Mas onde foram parar os moradores da cidade? Uma bomba exterminadora teria explodido terminando com a vida no planeta, e só eu e aquele velhinho...Ah, esses filmes de ficção científica mexem com a cabeça da gente!
Entretanto, no espaço de meia hora, calculei, nenhum automóvel andando na rua. Nem caminhão, ônibus ou qualquer veículo... ou pessoa.
Com saudade de gente e da vida passada, entrei numa loja, onde a proprietária esperava solícita o primeiro freguês do dia. Perguntei por lãs, linhas e uns tecidos de bordar da minha juventude, que não vejo há tempos! Mesmo que os encontrasse, o que fazer com eles, se em vez das antigas habilidades, agora só uso o computador?
Na televisão da loja, as notícias do dia: ônibus incendiados em Santa
Catarina
,  linhas da noite suspensas, e o povo sofrendo por falta de transporte e do medo das ruas. Quando chegarão até nós os vandalismos de nossos vizinhos?  Primeiro foi em São Paulo!...
 Por ora, respiro aliviada .. Enquanto meus conterrâneos aproveitam o pré feriado para ficarem em casa, o ar é só meu, a calma das ruas e os espaços também.



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