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segunda-feira, 5 de março de 2012

TAMANHO É O DE MENOS


Uma chave é um objeto pequeno que cabe na mão fechada. No entanto, que função importante desempenha. Esquecida na bolsa ou no bolso, ou numa gaveta, sua falta estraga qualquer programa.
Aconteceu com gente minha. Foram à praia num dia quentíssimo, engarrafamentos, ponte do Guaíba com defeito, um inferno. O consolo era pensar que logo estariam à beira mar. No entanto, faltando alguns quilômetros se deram conta: cadê a chave? Está comigo, está contigo? Foi aquele jogo de empurra. O remédio foi retornar à base para buscá-la. Ou desistir do agradável lazer do fim de semana.
Certa vez, lembro-me que foi no inverno, porque eu vestia casacão bem agasalhante. Pois bem, eu estava cuidando de um familiar no Hospital. Na hora do revezamento, em ponto de meio dia, ao chegar ao carro, procuro a chave no bolso, e nada. Esvaziei a bolsa, e a chave não aparecia. Voltei ao quarto do doente, todos me ajudando a procurar, sem solução. Acabei fazendo o trajeto a pé – a garoa, o ventinho minuano, a distância que não era pequena – não foi nada agradável. Almocei e voltei à ronda levando a chave extra que passei então a usar. No inverno seguinte, vestindo o mesmo casaco, eis que sinto um certo volume no forro da bainha: era a chave que tinha caído lá por um buraquinho minúsculo que até então não dera para perceber.
Mas, falando em chaves, cada vez elas estão mais minúsculas, ao contrário das de antigamente. As fechaduras eram peças enormes e pesadas, e as chaves não cabiam numa simples bolsa, quanto mais em bolsos.
Umas parentas minhas, todas de meia idade, estavam comendo laranjas no pé, acompanhadas da mãe velhinha e muito surda. De repente uma delas deu falta da dentadura. Foi um corre corre, todo o mundo procurando. Uma delas disse: quem sabe engoliste com as laranjas? A mãe se apavorou, pois entendeu que falaram em fechadura. Como isso foi acontecer? Engolir aquela coisa enorme? Afinal, o mistério foi esclarecido. Sabem onde foram encontrá-la? Em meio às cascas de laranjas.
Hoje as portas precisam de chaves extras, e nas cidades maiores o “abre-te sésamo” são códigos que a gente tem de saber de cor para digitar. Se não, não entra. Ou melhor, quem consegue penetrar são os ladrões. Esses têm cursos de pós graduação e até doutorado e as portas não têm segredo pra eles. Nem as janelas.

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