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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A CASA DOS NOSSOS SONHOS

 


Eu vi a casinha de joão de barro sendo construída. Dias depois, aquela animação: gorjeios, vultos alados, bater de asas.
Assim foi a mudança de meus vizinhos. A conquista da casa própria, a mudança feita com o auxílio de amigos e parentes carregando sofás, malas, cadeiras, tudo.
Fiquei pensando na atração que sempre senti pelas casas em geral e cada uma em particular. O modo de arranjar os móveis e utensílios, a divisão dos aposentos, a acomodação das pessoas da família pelos quartos.
Quando bem jovem,  sonhei morar em um chalé com cerquinha branca na frente e um mimoso jardim. Trepadeiras floridas fazendo um arco no portãozinho. Cinamomos dando sombra à varanda.
Quando viajava de trem, ficava olhando o interior das casinhas no trajeto, via pessoas em torno da mesa e uma sopeira fumegante sobre ela. Chegava a sentir o gostinho da sopa quente, enquanto devorava meu lanche frio. E uma saudade do lar me assaltava, mesmo sabendo que poucos quilômetros nos separavam.
 A casa paterna – cordão umbelical que dificilmente ou nunca conseguimos romper!
Noites há em que a sonho como era antes da última reforma: o corredor comprido, a cozinha mei´água. As goteiras que deixavam manchas de umidade nas paredes povoando minhas noites infantis de fantasmas e dragões. Mas, acordando, saber que a mãe e o pai ali estavam vigiando, protegendo, erguendo a coberta caída ao chão, aconchegando-a com carinho ao meu corpo encolhido de frio. E o sono tranquilo que se seguia sobre o colchão de palha.
Pela manhã, o cheirinho do café e da lenha queimando no fogão; os ruídos familiares, a água escorrendo, as portas abrindo e fechando... O padeiro, o leiteiro.
Minha casa de hoje tem outros sons não menos queridos: o bater do portão quando um filho retorna do passeio noturno. E os cheiros! Alguém me disse que minha casa tem o mesmo da casa de meus pais. Os mesmos temperos, quem sabe, os mesmos materiais de limpeza ou a mesma forma de levar a vida? É uma mistura de tudo e uma prova de que pelo menos tentei  trazer todo o carinho de minha infância para dentro de meu novo lar.
Mas entendo que o jovem queira sair, tentar a sorte longe, romper pelo menos geograficamente os laços que o prendem. Eu também sonhei com lugares distantes, viver uma vida bem diferente.
Quando vi aquele filhotinho estatelado no meu pátio, tive uma grande pena. Ele tentou voar com suas próprias asinhas e ainda não estava pronto.   E meu coração de mãe bateu disparado, cheio de medo.


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