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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O ENCANTO DOS DIAS COMUNS


A vida da gente vai fluindo entre dias inesquecíveis, que deixaram sua marca de alegria ou de dor, e outros bem comuns, tão sem brilho que nem lembramos as datas ou o que aconteceu na sua passagem despercebida.
Mas, se contarmos uns e outros, vamos concluir que os últimos são muito mais numerosos, graças a Deus!
Sim, porque com o passar dos anos vamos aprendendo a dar-lhes o devido valor.
Ah, que delícia o dia após uma grande festa em família, sob nossa responsabilidade! Que diferença entre a véspera, a gente nervosa, cansada, com tudo por fazer, sem saber o que esperar – sucesso ou fracasso – e o dia seguinte, de chinelos, penteado desfeito, a despreocupação com a hora de levantar, preparar refeições, “fazer sala”... Bem, mas esses ainda não são os ditos dias comuns, porque festas não acontecem tão amiudadamente na vida.
Os dias comuns, mesmo, que a gente nem nota passar, são aqueles que seguem um ritmo normal, sem sobressaltos. O jornal chegando a nossa casa precisamente à hora do café da manhã, e aquela disputa familiar para ver quem o lê primeiro. O leiteiro batendo à porta dos fundos, portador também das primeiras notícias do dia: caiu geada, está muito frio, choveu toda a noite.
Quão tranquilizador é saber de antemão quem bate à porta em determinadas horas, ou quem chama ao telefone. Isso acontece só nos dias comuns.
Perto do meio dia é algum cobrador de clubes ou jornais, buscando a mensalidade. Depois do almoço, antes da aula da tarde, geralmente são colegiais vendendo rifas ou votos para rainha de alguma festa na escola.
O telefone (reservado aos parentes e amigos) é mais respeitador das horas de refeição, descanso, e à noite só toca nos intervalos das novelas. É tão previsível!
Mas não é apenas pelo que não acontece nesses dias que eles estão sendo lembrados. Pois é nos dias comuns que a vida se expande discretamente, e de repente notamos que as árvores que nos rodeiam já têm folhas novas de primavera, o pé de azálea está cheio de botões se abrindo, e até aqueles lírios que desabrocham em Finados já apresentam duas flores bem lindas.
Porém o encanto maior é ver aquele bebê que paparicamos no inverno, então envolto em mantilhas, agora dando os primeiros passinhos e correspondendo ao nosso amor com um abraço bem apertado. Bendito seja o encanto escondido dos dias comuns. Só não o vê quem não sente o amor aquecendo nossas vidas. E isso eu não desejo a ninguém.

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