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domingo, 8 de janeiro de 2012

NA CADEIRA DO DENTISTA



Não há como adiar por mais tempo a decisão: uma cárie surgindo, um pivô que caiu. O fato tem que ser enfrentado logo, obrigando-nos à temida visita ao dentista. Temida, sim, pelos maiores de cinquenta anos, porque os jovens de agora – clientes de aparelhos corretivos, para os quais os leigos não encontram razão de ser: já são tão bonitinhos sem eles! – esses não estão nem aí. Para eles é uma recompensa que os pais lhes concedem, depois de muita súplica  e esforços para merecê-la.
Mas os “coroas” guardam péssimas lembranças. E ao agendar para o dentista, aquele ambiente tétrico dos antigos gabinetes dentários lhes vêm à mente: nas paredes, as gravuras mostrando dentes estragados, raízes inflamadas, fístulas que vão crescendo e acabam por “explodir”, deixando cicatrizes no rosto do infeliz! Tudo isso na boa intenção de fazer a gente cuidar melhor da saúde bucal. Mas o efeito era o inverso: as crianças da sala de espera, apavoradas com os ruídos daquela broca infernal no gabinete e os gemidos do paciente, iam saindo discretamente, com a desculpa de ceder o lugar para os adultos da sala.
Agora, o remédio é enfrentar as consequências e corrigir o que ainda tem conserto.
Felizmente o dentista de hoje tem competência de sobra e recursos de 1º Mundo. Mesmo assim, sem dor nenhuma, naquele ambiente agradável, com música suave e os gestos cuidadosos do dentista, ficar de boca aberta quase uma hora seguida é “dose!”
Resta-nos dar largas ao pensamento para esquecer onde nos encontramos.
Assim, ora lembramos fatos do passado, ora nos detemos nas aperturas do presente. A lâmpada focando o nosso rosto faz pensar nos horrores da torturasofrida pelos presos políticos em todo o mundo. Como pode haver gente tão má que se compraz com o sofrimento de outros!
Melhor é pensar em coisas alegres, engraçadas. Como a do genro que se irritava com a sogra, no banco de trás do automóvel, naqueles tempos de estrada embarrada, antes da era do asfalto. E a velhinha ia desfiando as contas do rosário, temendo ficar atolada. O que incomodava o motorista não era a reza propriamente, nem a evidente falta de confiança da sogra em sua habilidade na direção, mas o “chiado” da dentadura da coitada a cada “Santa Maria” do terço.
O fato é que no tempo de nossos pais e tios, dificilmente alguém chegava aos sessenta anos sem a famosa “dentadura”.
Quantas comadres e afilhadas do interior do município se hospedaram em nossa casa para extrair os dentes. Depois de alguns meses, com as gengivas curadas, voltavam para receber a “chapa”. Era um troféu exibido com orgulho, Mas, coitadinhas! Nunca mais poderiam “atracar-se” num bom churrasco de costela. E comer puxa-puxa, nem pensar.
Não será melhor esquecer os traumas do passado e fazer agora um trabalho completo no dentista? Assim assegurando a saúde dos dentes e de quebra um sorriso sem constrangimento por muitos anos ainda?
Você decide.

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