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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

ADEUS À CADEIRA DE BALANÇO


Na cadeira de balanço, xale sobre os ombros curvados, um coque despretensioso prendendo seus ralos cabelos, a vovó de cabecinha branca estende a mão para o beijo dos netos, que pedem cerimoniosamente a bênção, em sua visita domingueira.
A parede da sala tem vários retratos representando parentes mortos e chorados, que dão aquele ar de luto ao ambiente.
As crianças, em suas melhores roupas, não ousam passar da porta da sala, a não ser quando convidadas para o pátio, onde vovô e as tias solteiras apanham frutas da estação para oferecer-lhes, como laranjas e bergamotas ou maçã, figos e pêssegos.
É o único momento descontraído, quando as crianças se sentem mais soltas para brincar com o cachorrinho da casa.
Se ainda alguém duvida das grandes transformações ocorridas nos últimos cinquenta anos na vida da gente, é só comparar as figuras dos avós de décadas atrás com os de agora.
Hoje não há dia certo para visitá-los. Sua casa é uma creche compulsória, refúgio das crianças quando pai e mãe saem para trabalhar, e a empregada resolve não aparecer. Mas não é só na essa hora. Se o jovem casal resolve divertir-se em bailes, jantares e até em pequenas viagens de recreio, a solução já se conhece. Nem se cogita se o vovô precisa de sossego ou se a vovó está com seu achaque de reumatismo. Também, qualquer agradinho que os netos lhes façam, eles ficam todo derretidos.
A casa dos avós hoje é um prêmio para as crianças. Lá elas são tratadas com o grau de atenção que exigem inutilmente dos pais, sempre tão ocupados com os problemas de sua educação e do sustento do lar.
Os avós já não têm essa preocupação. Tudo o que desejam é dar-lhes carinho e curtir suas gracinhas, pois sabem que as crises do crescimento passam, e um dia chega o juízo. Não foi assim com seus filhos?!
Mas os encargos dos avós (principalmente da vovó) estão ficando cada dia mais complicados à medida que os netinhos vão crescendo
Trocar fraldas e fazer mamadeiras era muito fácil em comparação com as lições da escola que é preciso acompanhar. As matérias de estudo são outras.
O pior é controlar os horários de aulas de ginástica ou de música, e aquele entra e sai de netos e suas turmas de amigos, no turbilhão de programas que fazem parte de seu dia.
Os avós precisam ter boa cabeça para não se deixarem iludir quando chega a adolescência e começam os “segredos”.
Há momentos em que as vovós sentem uma saudade atávica da cadeira de balanço de suas ancestrais. Parecia tão tranquilo - fim de missão cumprida. Mas é só por um instante, porque logo a seguir essa mulher moderna, que pinta o cabelo, faz ginástica e não se deixa vencer pela idade, é capaz de aceitar prazerosamente o convite do marido para uma “esticada” numa estação de águas ou algum outro programas semelhante.
Então é que os pais de agora sentem o quanto valem esses avozinhos. Mas que fazer? Não há nada perfeito neste mundo.
Mas se alguém se queixar de que “não há mais vovós como antigamente”, só pode ouvir em reposta que os de hoje são muito mais prestativos e bem humorados. Ai dos netinhos sem eles!

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