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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A CIGARRA E A FORMIGA




A fábula da cigarra e da formiga pintava a coitada da cantora como uma vadia, que passava o verão cantando e no inverno ia mendigar comida e agasalho à operária trabalhadora.
Gerações e gerações de crianças ficavam imaginando a casa da formiga, com galerias de prateleiras cheias de provisões para o inverno. Mas, a não ser seu trabalho e organização, o bichinho não apresentava mais nada de interessante. Ao passo que a cigarra, de asas transparentes e voz de fazer inveja aos vocalistas metaleiros mais barulhentos, essa dava maior espaço à nossa imaginação. Por onde teria andado em seus descaminhos, que mundos conhecera, quantos amores vivera? Apenas a sacola vazia é que deixava dúvidas até nas mentes mais aventureiras: afinal, o que lucrara a coitada com sua cantoria do verão?
Assim também pensavam os pais de família, Meu avô tinha uma aversão profunda aos tocadores de violão. “Filha minha não namora um desses. São uns preguiçosos”, dizia. Era voz geral que a profissão de músico não combinava com os ideais das pessoas de bem. Entretanto, a música erudita sempre foi prestigiada em todas as festas e solenidades. Não podia faltar.
Mas os músicos populares, coitados, esses viviam pobres e morriam cedo. Entretanto, em nossos dias a música vem conquistando seus espaços.
Vêm surgiram grandes compositores e letristas famosos: Tom Jobim, Vinícius de Morais, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues... E Mário Lago. Bastava uma caixinha de fósforo e uma mesa num bar, e o ritmo despontava para alegria da platéia. Era como assistir a uma avant première com tapete vermelho e tudo.
Agora a fábula da Cigarra e da Formiga tem outro final: enquanto a última trabalha, a outra canta para aliviar-lhe o cansaço. E as duas vivem amigas e felizes com seus dons, aliando trabalho e lazer. Trabalhar com trilha sonora é outra coisa!
Mas neste verão tórrido, as cantoras não têm aparecido. Talvez por medo de torrar suas asas...

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