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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

LIVROS, AMIGOS SEMPRE


Quando minha amiga se casou e foi morar tão longe, deixou-me de lembrança os romances da Coleção Azul, que haviam entretido seus sonhos de jovem.
Lembro-me de ter pintado a prateleira do meu quarto dessa mesma cor para recebê-los.Tive o cuidado de encapá-los e pôr-lhes etiqueta com número e o título. Creio que eram mais de cinquenta. Da minha cama, ao acordar, gostava de vê-los ali enfileirados à minha espera.
A vida continuou, novas prateleiras foram surgindo com outros livros mais sérios e romances de finais nem sempre felizes.
Houve mudanças em minha vida: de casa, de cidade, de estado civil e de encargos.
De repente me dei conta de que não sei onde foram parar aqueles romances tão doces. Em que encruzilhada de minha jornada eles me deram adeus sem eu perceber.
Espero que tenham caído nas mãos de alguém bem jovem e ainda cheia de sonhos.
Outros livros foram-me abandonando, e eu sinto uma vontade enorme de tê-los de volta. É como se um amigo partisse sem deixar endereço. Em vão os procuro nos balaios das Feiras de Livro. Quem me atende nos sebos não tem a mínima ideia do que estou pedindo. São tão antigos, devem ficar pensando. E me olham como se estivessem falando com alguém de outro planeta... ou milênio.
Neste tórrido verão, lembro aquelas tardes na Charqueada de meus Dindos, à sombra das frondosas figueiras, quando me entretinha com uma boa leitura. Enquanto mastigava uma pera suculenta, daquelas de escorrer caldo, a trama se desenrolava para meu deleite. Sem preocupações da vida adulta, sem remorsos por tarefas não cumpridas, o tempo todo só meu.
Minha irmã se admira de como posso contar as cenas principais do livro O Manto Sagrado, que li há muitas décadas passadas. Foi um dos que perdi, mas tal como no filme Fahrenheit, eu o gravei bem fundo nas minhas lembranças. Um livro capaz de revolucionar o mundo. Para o bem.

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