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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O CAFÉ DO LUIZINHO





Com muita justiça meu sobrinho Fernando Augusto Alves, em artigo para um jornal local, louvou o Café do Luizinho como uma instituição séria, que vem resistindo bravamente ao tempo e às mudanças na sociedade e na economia. Sempre com o objetivo de bem servir.
Cercado por lojas modernas, na principal rua da cidade, ele se mantém com a mesma estrutura, não tendo aderido às máquinas modernas de fazer café nem aos copinhos descartáveis. Por isso tem clientes fiéis que naquele ambiente acolhedor “ se sentem em casa”. Como diz Fernando, é o local por excelência, nos intervalos para o cafezinho das dez da manhã, para as discussões acaloradas sobre futebol e política. Mas nunca se ouviu dizer que dali surgissem contendas menos elegantes ou mesmo inimizades. Pelo contrário, os diferentes pontos de vista é que dão o “clima” à Casa e não levam a nada: cada um sai mais seguro ainda de suas convicções. Ninguém convence ninguém a mudar de opinião. Laços de amizade e de respeito mútuo ficam mais fortes. Pois, se todos pensassem igual e torcessem pela mesma causa, que graça teriam as conversas?
Desses setenta anos de existência reverenciados pelo articulista, lembrei uma certa época em que o Café do Luizinho se localizava na rua Júlio de Castilhos, onde hoje está o calçadão. Em frente, o Hotel América, do também saudoso Edu Miranda, que dava um dente por uma discussão bem argumentada. Um colorado “doente”. Em vésperas de Grenal, ouvia-se de longe a sua voz discutindo com o vizinho gremista. Seu Luizinho, sempre discreto, mas firme na defesa do amado time.
O café ficava cheio de torcedores de ambos os lados. Faziam-se apostas, e todos ficavam na expectativa do resultado do grande evento.
Quando o Inter vencia, Edu “tocava flauta” no amigo pela semana inteira. Mas quando ocorria o contrário, Luiz Rosa ficava à porta do Café espreitando a passagem do adversário para dar-lhe o troco. Tarefa difícil! Edu usava de truques para não lhe dar o gostinho. Precisando sair à rua, chegava a pular muros para não ser visto. E a “flauta” programada ia perdendo a graça. Os filhos de um e de outro ajudavam a esconder ou a descobrir o colorado de cabeça inchada. Era uma caçada humana que divertia toda a vizinhança e arredores do centro.
O Café do Luizinho servia também de ponto de recados. Principalmente para Gigica, o eletricista mais solicitado da época, que instalava tomadas e consertava chuveiros. Ah, como eles estragavam depressa. Culpa da luz, antes da vinda da CEEE. Na falta de telefones nas casas - e nem se sonhava com celulares – tal sistema funcionava às mil maravilhas. Seu Luizinho e os filhos prestavam com toda a gentileza mais este serviço de utilidade pública.
Hoje ainda passo por lá para um cafezinho. Principalmente aos sábados. Bancos fechados... Como o acho gostoso na xícara de louça, com açúcar à vontade do freguês.
É sempre um prazer rever aqueles rapazes tão gentis que conheço desde meninos. Eles me recebem tão bem! Continuam honrando a tradição da família, seus pais, umas pessoas que a gente conheceu, estimou e até agora lembra com respeito e saudade.

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