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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O AMOR E AS CIRCUNSTÂNCIAS





Era um velhinho simpático que a gente via nas esquinas da vizinhança, sempre puxando assunto com os conhecidos que passavam. De bombacha e botas, no inverno de poncho, lembrava seus velhos tempos de pequeno fazendeiro. Ficava ali conversando sem pressa, pois ao contrário dos passantes, não tinha ninguém à sua espera.
Parece que ele cansou de viver sozinho, de não encontrar prazer na hora de entrar em casa. Deve ter sentido medo da solidão quando chegasse à velhice extrema.
Foi quando fez um balanço nas suas economias – pois sua preocupação maior era ter uma reserva para as doenças – e resolveu buscar uma companheira entre as antigas namoradas de sua juventude. Encontrou-a, solteira ainda, vivendo na casa de irmãos.
Em seguida deixamos de vê-lo “lagarteando” nas esquinas nas manhãs frias. Era vistoe passando pela rua com a nova esposa, bem arrumadinhos os dois, dirigindo-se às compras do Supermercado ou simplesmente passeando.
Tempos depois tornamos a vê-lo nas mesmas esquinas, sozinho, aquecendo-se ao sol e fumando seu palheiro. Decerto a lua de mel acabou. Ou então é o descanso feliz de um aposentado, que tem a certeza de chegar ao meio dia em casa e encontrar o almoço à sua espera.
Nada disso. Ficamos sabendo que a esposa o abandonara. Motivo: sua sovinice. Ela suportou até onde pode as compras de Supermercado. Ele comprava só meio quilo de cada gênero (quando encontrava embalagem com esse peso), olhando muito atento os preços nas etiquetas. O pior é que suas lentes estavam fracas, levava um tempão...
Mas a gota d´água para a nova esposa foi quando ele deixou de comprar café para substituí-lo por centeio. Era mais barato.
Ela, que só casara porque ainda guardava na lembrança o vulto ainda jovem do esposo, nos bailes de outros tempos, e para ser dona de sua própria casa, achou que aquilo era demais.
Preferiu voltar aos irmãos, mesmo tendo de cuidar dos sobrinhos endiabrados, mas podendo saborear à vontade o bom produto brasileiro, o apetitoso café, sem olhares rancorosos à lista dos preços .

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