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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

AINDA É VERÃO


A vida é curta, mas que longo este verão! Temperaturas tórridas e nada ou muito pouca chuva para amenizar. A Terra está aquecendo, mesmo.
Como eu gostava do verão em criança, e depois quando jovem. O mormaço do meio dia não me incomodava. Enquanto os adultos dormiam a sesta, nós crianças brincávamos falando baixinho. Aos domingos, íamos à matinée no cinema da Rua 7.
Seu Mirandinha ligava os alto falantes moderadamente, só para os ouvidos das crianças, não querendo incomodar os seus pais.
Lá íamos nós, alegrinhos, não sem antes comprar balas de mel de dona Ritinha que morava em frente ao cinema. Elas vinham enroladas em trança num mesmo papel azul encerado.
Mas quantas vezes voltávamos da porta do cinema com os ingressos devolvidos porque faltara o número mínimode assistentes. Ah, que tristeza. Nossos coleguinhas não apreciavam como nós o cinema.
Agora o calor não me agrada. Vejo que as estações e as idades têm suas afinidades e aversões.
Sonho com um dia de chuva, fresquinho, em que eu me anime a fazer arrumações em gavetas, rasgar papéis, organizar álbuns de fotografias ou de receitas culinárias.
Na minha meninice, gostava do silêncio da hora da sesta para colar fotos de artistas nos cadernos de desenho usados. Ou guardava em caixinhas de sabonete Eucalol tão cheiroso os santinhos recebidos nas missas festivas.
Era também a hora da leitura: revistas, livros de histórias, depois os romances. De fato: o verão acompanhou nossa evolução mais do que o inverno, pois este nos mantinha presos aos deveres escolares e pouca coisa mudava.
Era no verão que nosso tio media toda a sobrinhada para ver quantos centímetros cada um havia crescido. A porta que dava para a copa ficava com nossas marcas a caneta feitas por ele. Também organizava em sua granja nossas férias grandes: banhos no rio, pescarias, balanços debaixo das grandes figueiras, passeios a cavalo. Ah, Dindo! Como nos mimaste!
Lembro quando ainda não se falava em geladeira, ventilador, ar condicionado. E as freiras com seus hábitos pretos que as cobriam inteirinhas, só deixando o rosto e as mãos de fora! Será que o calor não era tão intenso? Ou o espírito de sacrifício era maior?
Entretanto, o verão já passou a metade, as férias também - até para nós aposentados. O bom é pensar que logo, logo o outono vai chegar.

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